Óbidos nos Séculos XIX e XX: território, elites e unidades de produção
Associação “Património Histórico - Grupo de Estudos” (Caldas da Rainha)
Contributo para o conhecimento histórico da formação do concelho e das suas elites nos século XIX e XX.
O projecto integra-se na Rede de Investigação de Óbidos, promovida pela Câmara Municipal
Este projecto abrange dois subprojectos1. Evolução geográfico-administrativa do concelho de Óbidos
O liberalismo procedeu a um profunda reorganização do Estado abrangendo aspectos relativos não só à estrutura e legitimação do poder político como ao sistema administrativo central e local. O percurso da territorialização do Estado teve implicações profundas nos municípios, tanto na concepção das suas funções como na configuração geográfica.
Grande concelho medieval, integrado no senhorio das Rainhas, o concelho de Óbidos foi ao longo do século XIX alvo de sucessivos ajustamentos de fronteira. Nalguns casos, esse ajustamentos traduziram-se na desanexação de freguesias em favor de outros concelhos, como Caldas da Rainha, noutros na autonomização de municipal (caso do Bombarral, em 1914).
A reforma municipal do liberalismo conduziu à supressão de um número muito considerável de concelhos de Antigo Regime, cerca de cinco centenas. Isto significa que Óbidos constitui de certa forma um acaso atípico, pois enquanto os restantes municípios portugueses cresciam em área, entre 1820 e 1920, ele perdia território.
A investigação proposta desdobra-se em três planos:
- estabelecer a evolução territorial do concelho de Óbidos, desde o Antigo Regime até 1914
- determinar as reacções que os sucessivos desmembramentos suscitaram quer de âmbito local que de âmbito nacional, de cariz político e de cariz social
- no plano da compreensão histórica, identificar as circunstâncias e motivações do processo decisório que conduziu a uma nova configuração geográfica do concelho.
A pesquisa basear-se-á em documentação do arquivo municipal, em análise de imprensa (regional e nacional) e bibliografia.
Dela deverá resultar um ensaio monográfico.2. As Quintas de Óbidos (séculos XIX-XX)
As Quintas constituíram, sobretudo ao longo da segunda metade do século XIX e primeira do século XX uma tipologia de unidades de produção agrícola mais expressivas da região hoje conhecida como Oeste.
Resultarão, provavelmente, da evolução do sistema dominial do antigo regime, a que de somaram as formas de propriedade resultantes da revolução liberal e, em especial, da extinção dos Forais, da nacionalização dos Bens da Coroa e das Ordens Religiosas e da Venda do Bens Nacionais.
O vinho, cuja produção teve um papel determinante no desenvolvimento da região durante a segunda metade do século XIX, com os seus dois ciclos bem marcados, antes e após a crise filoxérica, jogo um papel muito importante na consolidação das Quintas.
Pólos de actividade económica e social, as Quintas eram centros de actividade política, tendo os seus proprietários desempenhado na política oitocentista a função de influentes locais, dirigindo redes de clientelas deste ou daquele partido. Apoiaram deputados, presidentes de Câmara, dirigentes de organizações nacionais do sector agrícola. Privaram com a Casa Real e receberam os poderosos.
O objectivo desta investigação é efectuar o levantamento das Quintas de Óbidos, no período compreendido (Quinta das Janelas, Quinta dos Loridos, Quinta do Furadouro, as mais conhecidas, mas não as únicas), e reconstituir, se possível a partir de documentação conservada, a sua história patrimonial, as condições da sua actividade, as áreas produtivas em que marcaram presença.
O trabalho resultante desta pesquisa combinará monografias dedicadas a cada uma das Quintas com um estudo de conjunto abordando aspectos da organização económica e social da Quintas, a vida quotidiana que nelas se processava, e a projecção cultural e política na época.Coordenador Científico : João B. Serra
Projecto contratualizado com a Câmara Municipal de Óbidos em Outubro de 2006