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| Estratégias para a cidade comercial | 1 de Dezembro | |
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Os comerciantes da Rua Heróis da Grande Guerra e ruas adjacentes auto-organizaram-se para animar aquela zona da cidade. Às suas custas, adquiriram árvores de Natal. Decoraram-nas com motivos específicos do ramo de comércio a que se dedicam. |
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| João Teixeira Lopes | 30 de Novembro |
Numa exposição clara, sem ser esquemática, tendo por base muito trabalho empírico, exposta com entusiasmo, Teixeira Lopes falou de políticas culturais. Referiu-se aos bons e maus exemplos municipais, às boas e más práticas governativas em matéria cultural. Recusou a ideia comum de que a cultura só é prioridade depois de garantidos outros patamares de necessidades básicas e sublinhou a convicção da autonomia da instância cultural enquanto produto das qualificações humanas e sociais. Insistiu na dimensão escala para justificar a coordenação de equipamentos regionais. Recordou a sua experiência de programador da Porto 2001 e teve palavras de elogio ao trabalho de Fernando Mora Ramos e do Teatro da Rainha. |
| O arquivo de José Relvas | 27 de Novembro | |
Presença na sessão de hoje dos II Encontros dos Patudos, em Alpiarça, do Presidente da Assembleia da República. Oportunidade para apresentar o trabalho que está a ser feito no arquivo histórico, com a recuperação dos papéis de Relvas e a elaboração do respectivo inventário. |
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| Do diploma ao C.V. | 25 de Novembro |
Jean de Munck aborda o tema das mudanças nas sociedades contemporâneas sob a perspectiva da "mutação da relação com a norma" numa obra colectiva, editada em 1998, sob o título genérico "França: as revoluções invisíveis". AAVV, La France: le révolutions invisibles. S/l, Calmann-Lévy e Magnum Photos, 1998 |
| O vulcão da Ilha do Fogo | 24 de Novembro | |
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Barriga do vulcão fotografada por Ana Maria Bettencourt (Julho de 2007). A cratera do Vulcão da Ilha do Fogo tem 8 km de diâmetro. Na base, são visíveis as edificações de uma aldeia |
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| Foi Assim, segundo Zita | 23 de Novembro |
Nasci em 1949, há pois entre mim e a autora um contexto geracional partilhado, mas a escolha de vida que Zita Seabra realizou aos 18 anos representa uma passagem para outro lado. É um outro lado da vida, sem dúvida, mas também como se percebe, um outro lado da política. Parece estranho dizer isto, porque para quem combatia o Estado Novo, o autoritarismo, a repressão, a polícia política, a guerra colonial, parecia estarmos do mesmo lado da barricada. O certo, porém, é que ser do aparelho clandestino do Partido Comunista, respeitar a sua disciplina, exercer as tarefas que a organização determinava, cumprir a norma que a ideologia comunista propugnava era ser do outro lado, estar do outro lado. A comunicação entre ambos os lados existia, mas era muito condicionada e filtrada, não havia verdadeira interacção. |
| Frenzy: o regresso do velho Hitch | 19 de Novembro | |||||||||||||||||||
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Continuação do ciclo "Cinema e Debate", organizado pela Professora Madalena Gonçalves, na ESAD, com "Frenzy - Perigo na Noite", de Hitchcock. Frenzy, estreado em 1972, é o 55º filme de um cineasta que realizou, entre 1925 e 1976, nada menos que 56 filmes. Alfred Hitchcock nasceu em 1889 e morreu em 1980. Londrino, foi o autor do primeiro filme falado britânico. Em 1939, emigrou para os Estados Unidos, onde se consagrou como figura cimeira da indústria cinematográfica de Hollywood, criando a sua própria empresa produtora de filmes. No final da década de 50 e nos anos 60, depois de ter realizado Janela Indiscreta (1954), foi "descoberto" pelos críticos e cineastas da "Nouvelle Vague" francesa (Claude Chabrol, Eric Rohmer, François Truffaut), reforçando o seu prestígio na Europa. Alguns dos seus filmes antológicos são desse período: A Mulher que Viveu Duas Vezes (1958), Psico (1960), Os Pássaros (1963), Marnie (1964), Cortina Rasgada (1966). |
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| Estúdio fotográfico de Carlos Relvas | 18 de Novembro | |
Um salto à Golegã, para visitar o Estúdio de Carlos Relvas. Pioneiro da fotografia, que tratou como uma nova arte, Carlos Relvas, pai de José Relvas, nasceu e viveu na Golegã entre 1838 e 1894. O edifício que construiu para aí compor, cenografar, trabalhar laboratorialmente a fotografia foi concebido como um "templo". A recuperação, recentemente concluída, é excelente e a musealização do espólio que chegou até hoje, após décadas de abandono e degradação, escorreita e agradável. Incompreensivelmente, o único estúdio fotografíco patrimonializado que existe em Portugal não pode ser fotografado. |
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| Estúdio Carlos Relvas na Golegã | ||
| As Repúblicas de 1911 e 1975 | 17 de Novembro |
| "Encontro" nos Patudos, em Alpiarça, revivendo os serões de há um século, animados por uma palestra e um concerto. Antes do "Opus Ensemble" evocar Lopes Graça, e após uma visita à Casa de José Relvas guiada pelo Director, conversa sobre o sistema político de 1911 e 1976, em perspectiva comparada. Ocasião para relembrar o complexo e atribulado processo de transição português entre o 25 de Abril de 1974, as primeiras eleições contitucionais para a Assembleia (Abril de 1976) e para o Presidente (Junho de 1976) e a formação do Primeiro Governo Constitucional (Julho de 1976). |
| Pancho Guedes | 12 de Novembro |
| No útimo mês, quase duas centenas de novos visitantes deste site foi atraído pelo dossier sobre o arquitecto Pancho Guedes. Com uma exposição sobre a sua obra em Lourenço Marques/Maputo, inaugurada a 29 de Setembro no Museu Suiço de Arquitectura (SAM) de Basel (cantão de Basileia), os trabalhos deste notável criador despertaram um súbito interesse. Várias revistas publicaram notícias desenvolvidas sobre o arquitecto e alguns críticos apressaram-se a assinar uns textos incompreeensíveis onde exibem aquela intimidade habitual com um autor que ainda na véspera ignoravam. De modo que vou recuperar o meu dossier (está aqui) e proceder à sua actualização e revisão, com base na bibliografia entretanto saída. | Site Pancho Guedes |
| SAM, Basel | |
| Jorge Sampaio, combater de novo a tuberculose | 11 de Novembro | |
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Jorge Sampaio fala da luta contra a tuberculose, uma doença que voltou a ameaçar a saúde sobretudo das populações pobres do planeta, e dos desafios que preenchem a sua vida depois que deixou a Presidência da República. |
Entrevista ao Notícias Sábado |
| Conferencia Gustavo Cardoso | 7 de Novembro |
| Pode ler aqui as principais conclusões da conferência, apresentadas e debatidas na aula de Novas Mediações. |
| Mais fotografias de Ana Maria Bettencourt do vulcão da Ilha do Fogo | 6 de Novembro | |
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| "Estudos" | 5 de Novembro |
O editorial do Público de hoje insere um conjunto de observações pertinentes sobre a "avalanche de estudos" a que os responsáveis políticos cada vez mais recorrem para fundamentar decisões e sustentar clientelas. E conclui que não é mais possível admitir o prosseguimento desta prática sem um minucioso escrutínio público. |
Avalanche de estudos |
| Cafés Literários em Novembro | 3 de Novembro |
23 de Novembro |
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30 de Novembro |
| Ota, Oeste, Mateus | 2 de Novembro |
Está a chegar ao fim o processo de elaboração do parecer final do Laboratório Nacional de Engenharia Civil sobre a localização do novo aeroporto internacional de Lisboa e está também em fase final de discussão Plano de Acção para o Oeste a cargo de uma equipa dirigida por Augusto Mateus. |
| Acesso à rede | 31 de Outubro |
Ex.mos Senhores |
| Sociedade em rede e cidades criativas | 30 de Outubro |
CONFERENCIA/DEBATE COM O PROFESSOR GUSTAVO CARDOSO |
Cidades criativas |
| Gustavo Leitão Cardoso é doutorado em Sociologia pelo ISCTE (2005). Tem realizado investigações sobre o uso da internet e a sociedade em rede. Colabora com o Manuel Castells, que foi seu orientador de tese de doutoramento. Foi consultor da Casa Civil do Presidente Jorge Sampaio para os temas de sociedade da informação e conhecimento. Ver aqui o seu curriculum e publicações. |
| Tentar perceber | 30 de Outubro |
| Terminou já passava das 3 (!) a conversa com Fernando Catroga e Luis Salgado de Matos, iniciada às 19 no Corte Inglês, pela mão de José Reis Santos, e prolongada após o jantar. Do ideário republicano anterior ao 5 de Outubro às contradições dos sistema político montado após a Revolução, do iluminismo positivista à legitimidade revolucionária debateu (e concordou-se) muito. Se tiver paciência, pode consultar as nossas conversas iniciais em registo audio | História no Corte Inglês |
| Gravações |
| Isabel Castanheira | 29 de Outubro | ||
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| A Isabel é a livreira das Caldas. É esta a imagem que os caldense retêm dela. A imagem tem uma correspondencia ponto a ponto com a pessoa. A Isabel estabeleceu um nexo profundíssimo entre a sua actividade e a sua vida. A sua intervençâo cultural, as suas preocupações sociais, as suas atitudes cívicas são desdobramentos da sua profissão. E sucede que o inverso também pode ser verdadeiro: o empenho cívico, o entusiasmo pela cultura, a consciência social da Isabel contagiaram a livreira, tomaram conta dela. A sua pequena livraria é um estratégico ponto de encontro. Um ponto de encontro, não apenas entre livros e leitores, mas também entre autores e públicos. Um ponto de encontro entre gente que gosta de livros e gente que precisa de livros. Entre leitores ocasionais e leitores compulsivos, entre leitores de fim-de-semana e leitores de todos os dias, pessoas que gostam de ler livros e pessoas que gostam de falar, ou de ouvir falar, de livros. Ponto de encontro entre jovens à procura do primeiro livro e avós que pedem um conselho sobre um livro com que gostariam de fazer alguém feliz. Um ponto de encontro entre forasteiros e residentes, entre imigrantes e emigrantes, entre os que saiem e os que voltam. Um ponto de encontro entre géneros literários e até projectos culturais. Na loja 107 não se procuram apenas livros, o que seria bastante. Pedem-se e cruzam-se informações e conhecimentos, pedem-se e cruzam-se valores e afectos. A pequena livraria da Isabel Castanheira é uma imensa janela para o mundo. O mundo dos livros e da cultura, sem dúvida, e, através deles, o mundo em que vivemos e que queremos sentir e compreender melhor. Mas é também uma jbatem opiniões. O mundo que passou, mas cuja herança recolhemos e revisitamos com amor e desvelo. A Isabel é muito hábil e guiar-nos nos caminhos, por vezes mal iluminados, desse mundo/história e património. O mundo de amanhã, inventado pelos poetas e prescrutado pelos cientistas. O largo mundo, cuja fronteira um dia ajudamos a ampliar, ou o mundo mais próximo, das ruas Heróis da Grande Guerra e Almirante Cândido dos Reis, da cidade das Caldas da Rainha. O mundo borbulhante e paradoxal que queremos perceber e transformar, o mundo dos pequenos e grandes desafios que ousamos enfrentar. A livraria 107 é um ponto de encontro e uma janela porque lá dentro está a Isabel Castanheira. Duas qualidades singularizam a Isabel: a generosidade e a criatividade. A generosidade já todos os que aqui vieram, com um sorriso e uma flor, a experimentaram. A cada um de nós a Isabel já presenteou com o seu gosto de ser útil, o seu sentido de serviço ao público, os seu saberes, a sua entrega voluntária. Quem não beneficiou já da sua inesgotável energia, da sua iniciativa abnegada, da sua capacidade organizativa? Em todas as campanhas em que se envolveu, promoveu livros, deu a conhecer e a reconhecer autores, disponibilizou as suas próprias colecções, impulsionou actividades e actores culturais, acima de qualquer cálculo de natureza comercial (aliás legítimo). A Isabel foi o centro de referência de grandes causas cívicas que não nos deixaram indiferentes - como o da independência de Timor - e às quais demos o melhor de nós próprios. A Isabel não pára de nos surpreender. Faz lançamento de livros e organiza a visita de autores, cada uma das sessões marcada por um gesto singular de carinho e de bom gosto. A sua livraria foi das primeira do país a dispor de uma base de dados bibliográfica digitalizada. Construiu e mantém um blog que é um êxito, pela informação que atrai e divulga. Lançou inúmeras campanhas, visando a afirmação e qualificação do comércio tradicional e do seu contexto urbano. A ela se deve a logística mais inovadora das multiplas acções da associação Património Histórico, de que foi fundadora e de quem tem sido sempre dirigente. É uma das mais activas divulgadoras da personalidade e da obra artística de Rafael Bordalo Pinheiro, desenhador e ceramista. A livraria Loja 107 e a Isabel Castanheira são pois as depositárias de um conjunto de valores, ou nas palavras de Georges Steiner, de certas "convicções e audácias de alma" que são o melhor que temos para contrapor "ao despotismo do mercado de massa" e "às consequências do vedetismo comercializado". E são eles (seguindo de perto as reflexões de Steiner): a procura desinteressada do saber, a exaltação da beleza, a aposta na criatividade humana. Não é pequeno privilegio este, o de termos entre nós esta fábrica de sonhos, onde a ingenuidade é o antídoto da vulgaridade e a prevalência de ideais nos protege da uniformidade e do nivelamento por baixo. Felicidades, Isabel. Parabéns, Rotary Club das Caldas. |
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| Ilha do Fogo, 2007 | 29 de Outubro | |
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Ana Maria Bettencourt "Aqui vão umas fotos dos vulcões da Ilha do Fogo: o cone mais pequeno, de 1995 (a que chamam o vulcãozinho) e o maior, o que nós subimos há uns dias (2.800 m, mas sobe-se a partir de cerca de 1800)". |
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| Ligação à rede | 28 de Outubro |
| 12º dia sem ligação. Vou para Lisboa mais cedo, a fim de resolver, através da netcabo, uma série de problemas pendentes e actualizar este site. |
| Elogio de Babel | 27 de Outubro |
| "Quando morre um idioma, morre com ele uma perspectiva total - uma perspectiva como nenhuma outra - da vida, da realidade, da consciência. Quando um idioma é arrasado ou reduzido à inutilidade pelo idioma do planeta, ocorre uma perda irreparável no tecido da criatividade humana, nos modos de sentir o verbo esperar. Não há nenhuma língua pequena. Algumas línguas do deserto do Kalahari apresentam mais subtilezas sobre o conceito de futuro, sobre o subjuntivo, do que aquelas que Aristóteles tinha à disposição. Em vez de uma maldição, Babel formava a própria base da criativiadade humana, da riqueza do intelecto, que traça os diversos modelos de existência (tentei demonstrar isso em toda a minha obra). De forma até mais drástica que a actual destruição da flora e da fauna, a eliminação das línguas humanas - calcula-se que poderiam sobrar umas cinco mil das vinte mil que existiam até há pouco tempo - ameaça vulgarizar, padronizar os recursos internos e sociais do género humano. Por isso, não me parece que exista um problema mais urgente do que o da preservação do dom das línguas do Pentecostes, a defesa e ilustração, para usar uma expressão conhecida do Renascimento, de cada idioma, sem excepção, por muito reduzido que seja o número dos seus habitantes, por muito modesta que seja a sua dimensão económica e territorial. Aprender um idioma, ler os seus clássicos, contribuir para a sua sobrevivência, ainda que em modesta medida, é contrariar essa tendência". George Steiner, Os sonhos são o campo neutro das contradições |
| Vivaços à solta | 26 de Outubro |
Vieram de Braga, patrocinam em exclusivo o Leixões e propõem-se fazer centros comerciais em Felgueiras e mais umas tantas cidades. Começam pelas Caldas, onde adquiriram um espaço com uma localização invejável, embora onerada com um edifício histórico. Tudo fizeram para se livrar desse edifício, porque o viram como um encargo e não como um valor. A cidade agradecida, curva-se e exulta com a honra concedida: ser a primeira de dez cidades que vão deter um "Vivaci". Um quê? E o Sr. Presidente, embalado pela visão/Braga da FDO, pela ambição/Leixões da FDO, e pelo seu próprio verbo fácil, adivinhou ali a visão e ambição de uma rainha: Leonor. Mas logo corrigiu, porque apesar de tudo Leonor era mulher e ele não queria ser mal interpretado: D. João. Quem? Sim, João II, o que dividiu o mundo em Tordesilhas e preparou o Gama para descobrir o caminho marítimo para a Índia. |
Fernando Costa elogia a FDO |
| Ligação à rede. E que responde a Netvisão ao meu mail de reclamação do dia 23? | 26 de Outubro |
Nada. |
| Aprender a ler (ler bem, ler com competência) para ser mais livre | 23 de Outubro | |
| No dia em que os números nos confirmam o que julgávamos perceber à nossa volta: os portugueses são dos europeus que menos lêem (nos hábitos de leitura incluindo, além de livros, jornais e revistas), uma homenagem a Teresa Calçada. Ela é o rosto mais expressivo e entusiasta das bibliotecas escolares. Mas é também uma apoiante convicta (e promotora - na localidade onde tem residencia, a Marmeleira, em Rio Maior) de bibliotecas populares. Se hoje, apesar de tudo, alguma coisa aconteceu (pouco, desoladoramente pouco) com a leitura entre os jovens, à difusão das bibliotecas escolares se deve algum desse êxito. A biblioteca é o complemento da sala de aulas. E uma condição para a cidadania. Ouça , aqui, Teresa Calçada. | Biblioteca Popular da Vila da Marmeleira | |
| Ligação à rede | 23 de Outubro |
Ontem, novo telefonema para a Cabovisão. Que aconteceu aos 2/3 dias que me tinham sido referidos no dia 18 para solução do problema de acesso à rede? Está agendada para dia 29 deste mês uma vistoria externa para confirmar se há falta de sinal, respondem-me. Não quero acreditar no que ouço. Seguem-se momentos penosos. Tento desesperadamente convencer o meu interlocutor de que estar sem acesso desde 16 até 29 (na melhor das hipóteses) é inaceitável. Que os prejuizos causados são incalculáveis. Que se o problema é exterior ao domicílio, tal como no caso de uma avaria do sistema de abastecimento de água ou gaz ou electricidade, a empresa tem de ter um piquete para intervenções de emergência. Nenhum dos argumentos produz qualquer efeito. É evidente que este serviço de atendimento de chamadas só está apto a entreter clientes, não a atender clientes. Pergunto a quem me devo dirigir para apresentar uma reclamação. Hesitação do outro lado. Não tem livro de reclamações. Não, responde-me, mas pode mandar um mail. Um mail? Como, se não tenho acesso? E um mail dirigido a a quem? Tem provedor do cliente? Provedor, não tem, mas tem geral, mande um mail para o geral que será encaminhado. |
| Concurso | 22 de Outubro |
| 14,55: chega ao seu termo a preparação do concurso para professor coordenador. Nas condições em que o fiz, de uma carreira académica pouco "ortodoxa", encavalitada nos últimos anos noutras funções exigentes, o importante foi mesmo este trabalho de organização e documentação do curriculum vitae e de elaboração de uma lição sobre um tema do programa e de uma dissertação acompanhada de um projecto de invstigação. O resto, que a seguir virá, já não depende só de mim. |
| Ligação à rede | 18 de Outubro |
| Equipa da Cabovisão verifica modem e cabos. Conclui que modem está em boas condições, mas não consegue receber dados do servidor. A melhor hipótese é que o sinal chegue demasiado fraco. Sossegam os meus receios: vai ficar tudo arranjado dentro de 2/3 dias. Como há um fim-de-semana peo meio, preparo-me para recuperar a net na Segunda-feira. Parece-me razoável. |
| Água imóvel e silêncio transido | 17 de Outubro | |
Raúl Brandão, nascido na Foz do Douro em 1867, é dos escritores portugueses um dos que melhor expressou o apelo profundo do mar e o fascínio das ilhas. No Guia de Portugal, esse extraordinário projecto de Raúl Proença, um novo Lusíadas escrito a várias mãos, pelos mais qualificados intelectuais da época (1924), descreveu assim A Berlenga. "Desembarca-se na pequena praia ao fundo do carreiro do Mosteiro, tendo em frente as escarpas vermelhas da ilha, que emergem da água verde, grossa e transparente como um vidro. Ao pôr do sol todo este granito enferrujado escorre sangue de alto abaixo, até à água que desvenda os fundos mágicos através duma lente esverdeada. Subimos um carreirinho a pique até às ruínas do pequeno eremitério de frades jerónimos, suspenso do azul e perdido naquela imensa solidão.É um sítio poético, que nos faz sismar e nos penetra de encanto. Quem esgaravata nas pedras, ainda encontra uma data apagada - amor, morte. sofrimento, tudo reduzido a cisco... Mas quem ergue os olhos, só encontra deslumbramento e vida: bóia o sol na atmosfera límpida e sem um átomo de poeira; cerca-nos o azul em ondas magnéticas, e lá para diante vagas sobre vagas. Ali em baixo, a nossos pés, avista-se uma praia solitária, um côncavo do tamanho da mão onde nunca entrou o sol. Fria e pálida entre grandes rochas negras e cenográficas, que emergem do mar e se recortam no azul, transem-nos como um sítio misterioso que o homem visse pela primeira vez. Aquela água verde, prisioneira entre escarpas altíssimas, dá-nos uma sensação glacial e estranha... . As ilustrações que aqui reproduzi são da autoria do arquitecto Paulino Montês. Natural de Peniche, onde nasceu nos finais do século XIX, Paulino Montês tinha família nas Caldas da Rainha e foi responsável por diversos estudos e planos urbanísticos da cidade. Estas aguarelas, dos anos 30, pertencem á colecção do Museu de José Malhoa |
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| Ligação à rede | 16 de Outubro |
| Fiquei sem ligação à rede. Tendo em conta experiências anteriores e a minha desconfiança em face destes operadores que temos, não posso deixar de ficar apreensivo. Consultado telefonicamente, o nosso engenheiro de computadores, prepara o caminho para a compra de um novo modem. De facto, este pisca-pisca, só acende uma tímida luzita. |
| Sons para mais tarde recordar | 16 de Outubro | |
| Escola Básica Integrada de Santo Onofre: os alunos da turma 9º C, com o professor Rui Correia, desenvolveram em Projecto integrado 2006/ 2007 um trabalho colectivo designado "Pôr do Som ... Escutar quotidianos em vias de extinção". O resultado pode ser visto e ouvido no site que aqui se indica.Ana maria | Pôr do som | |
| Entender Portugal Hoje: Curso de História Contemporânea no Corte Inglês, em Lisboa | 15 de Outubro |
Pretendemos, neste I Curso de História Contemporânea, proporcionar uma viagem ao século XX português e, aí, procurar as pistas para melhor entendermos Portugal . Direcção de Luis Reis Santos. Começa de hoje a uma semana. |
Programa |
| A Arte do Vulcão | 14 de Outubro | |
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Ana Maria Bettencourt, A Arte do Vulcão, Açores (Pico), Agosto 2005 | |
| Citações de O Paradoxo do Ornitorrinco (José Pacheco Pereira) | 14 de Outubro |
Escrevendo sobre o PSD, porque é suposto cuidar primeiro dos meus males do que dos males dos outros, falo sobre os problemas do esgotamento acentuado do nosso sistema político, quase todos eles partilháveis com o PS. A crise do sistema politico portugês é muito maior do que pensam os militantes dos partidos, e exerce efeitos muito perniciosos no conjunto da vida pública. (p.11) Tiro já da equação factores que hoje têm um pequeno papel em todo este processo. Um é a componente ideológica e partidária, a adesão a um corpo de ideias e políticas, uma obrigação de intervenção cívica, que nos primeiros anos do PSD era um motivador das suas "bases" e que agora é apenas uma sobrevivência inútil. (p.18) O segundo factor é a ilusão de que haja qualquer ética de serviço público, qualquer vontade cívica, qualquer projecto que não esteja ao serviço de objectivos que são para eles, "profissionais" no sentido pleno, para si ou para os seus familiares e amigos. (p. 19) Uma parte do mundo dos "negócios" que circula ao lado e dentro dos partidos é constituída por empresas que vivem das encomendas dos partidos (nas campanhas eleitorais) e dos governos. Muitas dessas empresas são formadas por antigos militantes, e, nalguns casos, funcionários partidários que começaram por prestar voluntariamente ou profissionalmente, dentro dos partidos, os serviços que agora vendem. (p. 35) O partido perdeu cada vez mais a sua relação com a sociedade civil, fechou-se aos melhores, promoveu pelo sindicato de voto e não pelo mérito. Já várias vezes insisti no facto de que, entregando o nosso sistema constitucional um número significativo de poderes aos partidos políticos e o monopólio da representação parlamentar, não se pode ser indiferente à qualidade da democracia interna desses partidos, aos seus mecanismos de promoção e carreira, aos efeitos perversos da corrupção, e a todas as manifestações oligárquicas do seu funcionamento". (48-49) O outro problema da governamentalização do partido vem, não do exercício por politicos activos nas estruturas partidárias, de cargos que implicavam responsabilidade e confiança política, mas sim do número excessivo de dirigentes partidários que exercem cargos de nomeação estatal. (p. 114) |
| Xácara das dez meninas | 13 de Outubro | |
Era hua vez dez meninas |
Era hua vez cinco meninas Mário Cesariny, Primavera Autónoma das Estradas, 1980 |
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| Mas as coisas são como são | 13 de Outubro |
À meia noite espreitei o Congresso do PSD nas reportagens dos canais 5 e 12, ouvi Gonçalo Capitão, havia pequenos grupos a conversar, mas não vi ninguém a folhear o livro com que José Pacheco Pereira quis assinalar o acontecimento. E, a menos que a editora tenha a imaginação (e a coragem) de fazer banquinha à porta do Multiusos de Torres Vedras, não parece que ele vá ajudar os congressistas a devolver ao PSD o elan reformista que JPP julga perdido. |
| Terra de Rainhas (2). Continuando a discutir o texto de Maria José Nogueira Pinto sobre Óbidos e Caldas | 12 de Outubro |
O confronto político agora gerado pela decisão de instalar nas Gaeiras um empreendimento comercial denominado "Plaza Oeste" (a propósito, ninguém se indigna com esta tola designação de "Plaza"?) ilustra bem tudo o que aqui escrevi a propósito do texto de Maria José Nogueira Pinto acerca das comparações Caldas/Óbidos. |
| Nadir Afonso: Praças | 11 de Outubro | |
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Praça de Oslo. Serigrafia. 1986 |
Plaza del Sol. Serigrafia. 1986 |
| Efeito perverso | 11 de Outubro |
Certo dia, recebo uma assistente social que, e ao que a memória me diz, representava os serviços sociais do ministério da justiça. Vinha com a firme determinação de ajudar a resolver um problema relacionado com uma família com as características da zona envolvente: a uma pobreza chocante, associava-se uma habitação degradada e só com um quarto; tinham sete filhos, salvo erro. História "kafkiana" que pode ser lida na íntegra no blog "Correntes", de Paulo Prudêncio |
Correntes |
| À janela (indiscreta) | 10 de Outubro | |
Invertem-se os papéis e a cena muda de perspectiva. O voyeur - adormecido - é apanhado pela visita insperada. O que se passava lá fora, apesar de ruidoso, deixou de importar. Transição da sombra para a luz (3 nomes, 3 candeeiros) que desvela o branco da saia, em contraste com o preto da blusa e das sandálias. O diálogo: Lisa (L) - Como está a tua perna? |
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| Columbano e a loiça das Caldas | 10 de Outubro |
| Um pequeno exercício de detecção da presença da louça caldense na produção artística de Columbano. Resultados aqui ao lado na página da Cerâmica. |
| Fausto Correia | 9 de Outubro |
| Para Fausto Correia, homem delicado e generoso, que sabia o valor da amizade (e contava, como ninguém, histórias intermináveis de Miguel Torga e Fernando Vale): |
Ficam as Sombras... Não. Não podeis levar tudo. Miguel Torga |
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Revisitar Torga |
| A convite do poeta Manuel Simões, Fausto Correia esteve a 16 de Maio em Leipzig para falar de "Miguel Torga - 100 anos, vida e obra", onde apresentou alguns livros e outros objectos que marcaram a sua ligação pessoal a Torga (uma prova de que a amizade não tem idade, nem fronteira) |
| Mediadores de confitos procuram-se | 8 de Outubro |
| Uma boa ocasião para pôr à prova o CEMEAR (Centro de Mediação e Arbitragem de Óbidos): o diferendo do "Plaza Oeste" (que nome extraordinário! deve ter sido inspirado numa cidade americana da fronteira com o México) que opõe os executivos municipais das Caldas e de Óbidos. |
| Rua das Montras II | 8 de Outubro |
A renovação comercial do segmento da Rua Heróis da Grande Guerra entre o cruzamento com as Ruas Miguel Bombarda e Cândido dos Reis não pára, em consequência das obras que a encerraram ao trânsito automóvel. |
| À janela. Poemas para a Inventada | 8 de Outubro | |
VIII Manhã em que tudo é superfície apenas, (Manhã em que cismo: XIV Uma flor com asas de lume E eu possa dizer à Terra: XV Mas o amor é outra raiva José Gomes Ferreira, Electrico. |
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| Nossa Senhora do Povo | 7 de Outubro | |
Leio no Jornal das Caldas de 3 de Outubro esta intrigante passagem de uma intervenção do Capelão do Centro Hospitalar das Caldas da Rainha no decurso de uma palaestra que proferiu recentemente na Igreja de Nossa Senhora do Pópulo: "Certamente que o nome da Igreja do Pópulo de Caldas da Rainha tem que ver com a Igreja de que o Cardeal [D. Jorge da Costa, Cardeal de Alpedrinha] era titular. O título italiano não quer dizer Nossa Senhora do Povo, mas sim Nossa Senhora do Choupo, árvore que em Roma dava o nome da Praça. Não consta que em Caldas houvesse uma árvore que tenha ficado para a história". |
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Santa Maria del Populo (sec. XIV) |
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Josefa de Óbidos, Nossa Senhora do Populo, 1670-1680 |
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| A louça com motivos sexuais das Caldas da Rainha | 6 de Outubro |
A este tema que, não nego, constitui um centro de interesse autónomo na produção de cerâmica das Caldas da Rainha, nunca dediquei particular atenção. Em primeiro lugar porque as fontes - tanto documentais como patrimoniais - que consultei para o estudo da história do centro cerâmico caldense ignoram ostensivamente este segmento de actividade. Em segundo lugar porque a sobreposição das chamadas "malandrices" ao conceito de "louça das Caldas", que é um fenómeno provavelmente da segunda metade do século XX, sempre me pareceu "injusta" para a louça de inspiração naturalista que, desde meados do século XIX, constitui de facto, pela sua persistência, exigências técnicas e qualidade estética e de fabrico, um traço identificador da cerâmica das Caldas. |
| O Lisbonense | 5 de Outubro |
Independentemente do destino que cada um ache que o Lisbonense merece, o comportamento da entidade que tem a seu cargo a contrução do edifício é absolutamente inaceitável. A fiscalização técnica e a responsabilidade decisional da Câmara das Caldas está posta à prova. Há um desrespeito pelos compromissos assumidos que ronda a má fé. Mas há sobretudo um desprezo intolerável pelo passado de um edifício significativo da nossa história. Tudo foi feito, durante anos, para que ele se desmoronasse. Mas resistiu, com a resistência de uma boa contrução. Depois argumentou-se com a falta de solidez das estruturas que tinham permanecido de pé, o que se revelou ser falso. Na Gazeta das Caldas, tais argumentos foram definitivamente desmontados e criticados por um especialista da matéria, Pedro Ribeiro, engenheiro civil da equipa de João Appleton. Agora que se impunha a consolidação das paredes, os construtores parecem apostados antes em obrigá-la a novo esforço. É desta vez que conseguirão vergar o que resta do velho Lisbonense? Se a passividade da Câmara persistir, este crime terá cumplices. |
Pedro Ribeiro, Gazeta das Caldas |
| Paula Rego e Rafael Bordalo Pinheiro | 4 de Outubro | |
1. Da entrevista publicada a 22 de Setembro no "El País": 2. Da entrevista publicada a 23 de Setembro no "Jornal de Notícias" 3. Da entrevista publicada no Expresso- Revista, a 31 de Maio de 1997. 4. A Sereiazinha, um pastel de 2003, exibe um apontamento "bordaliano" (ou, mais rigorosamente, um registo alusivo à louça caldense do estilo "neo-palissy" cultivado por Rafael Bordalo Pinheiro e outros ceramistas caldenses da época). |
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P. Rego no "El Pais" |
| P. Rego no J. N. | ||
| P. Rego ao Expresso | ||
| P. Rego na Gazeta das Caldas (Nicolau Borges) | ||
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| Correspondência | 2 de Outubro | |
| Confesso que me entusiasma a possibilidade/projecto de ainda podermos ter a Paula Rego nas Caldas. É sabido e público a admiração que a pintora tem por Bordalo, reafirmou-o, na semana passada, ao "Expresso" e ao "El País". De que estamos à espera? Nicolau Borges (2 de Outubro) |
A estadia de Paula nas Caldas já esteve "combinada". Podemos tentar outra vez. |
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Memória e imaginação são de facto os ingredientes vitais do espectáculo. |
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| Partilho totalmente a mesma opinião. Gostei muito. |
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Simplesmente fabulosas as histórias dos dragões. |
Falta-me um. Quem me ajuda a descobri-lo? | |
| (...) o post sobre a enorme Paula Rego. É um post que faz lembrar as cerejas. Paulo Prudêncio (26 de Setembro) |
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| (...) de Maria José Nogueira Pinto. O pior é que todos gostam cada vez mais das guerras estéreis e cada vez menos da colaboração inteligente e honrada, salvo raras excepções, claro. Isabel Xavier (23 de Setembro) |
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| (...) que a minha Alice tivesse honras na [tua] página! Ela teria adorado. Por ela te agradeço. Ana (20 de Setembro) |
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| Cartas para cima | 30 de Setembro |
António Lobo Antunes, em entrevista hoje publicada no Diário de Notícias: |
Entrevista a A. L. Antunes |
| Património | 29 de Setembro | |
Presença, ontem nas Caldas e hoje em Peniche, em sessões integradas nas 24.as Jornadas Europeias do Património. Em Peniche, organização da Câmara Municipal, em parceria com as associações de estudo e defesa do património, nas Caldas, organização da associação Património Histórico. Em ambas, casa cheia, o que sinaliza o interesse do tema, a preocupação dos cidadãos, a oportunidade do debate. |
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Maria Isabel Castanheira apresentou no Populus esta montagem bem humorada sobre o património caldense, com a ajuda de desenhos de Rafael Bordalo Pinheiro |
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| Interrogação | 29 de Setembro |
| Resultados conhecidos esta madrugada causam perplexidade nos comentadores de serviço (ausentes em parte incerta) e provocam reacções fortes (José Pacheco Pereira, Paula Teixeira da Cruz). Não quero comentar os resultados, mas confesso que achava provável a vitória de Luis Filipe Menezes. O PSD é um partido que gosta de premiar os que não desistem após uma primeira derrota. Que repercussões terá, entretanto, este desfecho do combate interno do PSD na vida política regional? A televisão mostra um pequeno cortejo de dirigentes sociais democratas de Óbidos e Bombarral felicitando o novo líder. Não tenho explicação para o alinhamento das Caldas e de Fernando Costa com Marques Mendes. Se a memória me não falha, esta concelhia era apoiante de Pedro Santana Lopes. |
| Paragem obrigatória | 27 de Setembro | |
Ensaio geral da nova produção do Teatro da Rainha (desta vez, com o Centro Cultural Malaposta): "A Estação Inexistente", um texto constituído por duas peças de dois autores, Luigi Pirandello e Rocco D'Onghia. [Fotos de Margarida Araújo] |
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O homem da flor... |
| Um contínuo movimento... | ||
O homem da flor na boca |
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Um contínuo movimento, um estranho equilíbrio |
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| Paula Rego em Madrid | 26 de Setembro |
1. Uma retrospectiva, formada por cerca de duas centenas de quadros de Paula Rego no Museu Rainha Sofia, em Madrid, em simultâneo com uma mostra da sua obra gráfica na Galeria Marlborouhg. Um bom motivo para voltar a Madrid, logo que possível. 2. Gostaria que fosse possível ainda um dia concretizar um desejo que Paula Rego me confidenciou há algum tempo: o de permanecer nas Caldas durante uma ou duas semanas para experimentar trabalhar o barro. Falou-me então do seu fascínio por Rafael Bordalo Pinheiro. Mais tarde, fiz-lhe chegar um exemplar do catálogo da exposição de louça de Bordalo realizada em S. Paulo, comissariada por Paulo Henriques (1996). 3. Paula Rego está presente na rede, em inúmeros sites. Destaco dois: o do departamento de Espanhol e Português da Faculdade de Línguas Medievais e Modernas da Universidade de Cambridge, onde se pode ver mais de uma centena de reproduções de algumas das mais importantes obras da pintora; e o da Galeria Saatchi, de Londres, onde, no espaço dedicado a Paula Rego, além das imagens, há notas explicativas, uma selecção de textos publicados na imprensa britânica sobre a sua obra e uma lista de sites com informação relevante. |
Museu R. Sofia |
| Gal. Marlborough | |
| Univers. Cambridge | |
| Saatchi Gallery | |
| Expedição à Charneca | 21 de Setembro |
Em busca de um S. Jorge combatendo o dragão. Pista fornecida por Elsa Rebelo. Uma surpresa patrimonial para mim - e certamente para Bordalo Pinheiro que fez uma escultura que o povo carregou em procissões. Guiado pela vivacidade de Leopoldina Marieto. Registo de uma bela história patrimonial que passo a narrar (informações complementares com imagens aqui ao lado, em Cerâmica). |
| Um ano | 20 de Setembro | |
Há um ano que esta teimosia começou. Como coisa de professor. Depois, sem deixar de o ser, foi-se desdobrando. Agora tem uma extensão semanal na Gazeta das Caldas. |
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| Distritos | 15 de Setembro |
Segundo o "Diário Digital", o PSD Porto vai propor ao Congresso do Partido a defesa da adopção das NUTs 3 como base territorial para a definição dos círculos eleitorais. |
Diário Digital |
| Devem os museus deixar de cobrar entradas? | 15 de Setembro |
Berardo desafiou o Ministério da Cultura a declarar a gratuitidade do acesso aos museus, reflectindo sobre a experiência do Museu que tem o seu nome. Em França, o debate está instalado, depois que o Presidente Sarcozy incluiu a medida no seu programa eleitoral e a Ministra da Cultura anunciou a entrada em vigor a partir do dia 1 de Janeiro, de um programa experimental de acesso gratuito, aplicável a 9 museus. Ficam de fora, para já, os grandes museus (Louvre, Pompidou, Quai d'Orsay). A medida não gerou unanimidade entre os responsáveis. Alguns directores consideram o pagamento de entrada um obstáculo à divulgação das suas colecções e saudam a medida. Mas há quem considere que a imagem do museu sai afectada e o recurso ao mecenato, essencial para garantir as exposições temporarias, prejudicado. No Le Monde de ontem, ensaia-se um balanço de experiências anteriores. "Na Grã Bretanha as colecções permanentes passaram a ser gratuitas em 2001. Os museus municipais de Paris deixaram de cobrar entradas em 2002. Em ambos os casos, a medida fez disparar o número de visitas, com dois senões: "regista-se de princípio um efeito de lua de mel, mas a seguir a frequencia sofre uma quebra" sublinha Anne Gombault, responsável pela cadeira de Gestão de Artes e Cultura na Escola de Gestão de Bordeaux. (...) Os grande beneficiários da gratuitidade são sobretudo ... os visitantes assiduos do museu. "As pessoas voltam, estão mais distendidas, insiste Catherine Hubault, sub-directora do Património da cidade de Paris. A imagem do Museu mudou, mas não a idade e o perfil sociologico dos visitantes". |
| Terra de Rainhas (1) | 14 de Setembro |
| O texto com que Maria José Nogueira Pinto se referiu a Óbidos e Caldas, há cerca de um mês, foi integralmente transcrito na Gazeta. Criou-se assim a oportunidade para expor algumas das questões que a sua leitura suscita, na sequência da nota que aqui publiquei a 17 de Agosto. Aludindo à sua experiência vivida na região, nomeadamente como deputada municipal nas Caldas nos anos 90, recorda que então "a comparação entre Caldas e Óbidos era recorrente e não escondia uma certa competição". Para Maria José Nogueira Pinto, no entanto, essa "discussão estéril escondia o essencial" que residia, sim, no modelo de modernização e desenvolvimento. Em certo sentido, porém, este texto incorre no mesmo erro que identificou no passado. Ele participa na competição, que persiste, entre Caldas e Óbidos e foi lido como uma peça intencional da comparação entre os dois municípios. Arrisca-se justamente a reforçar a "discussão estéril" que "esconde o essencial". Sucede que eu estou de acordo com o diagnóstico primeiro de Maria José Nogueira Pinto e não me parece nem pertinente nem útil estabelecer disjunções entre Óbidos e Caldas. Essas disjunções, sempre baseadas em critérios de mera ocasião, fixam animosidades e desconfianças entre responsáveis, legitimam atitudes de não cooperação entre instituições, criam um terreno propício à manipulação das opiniões. São o resultado de calculos de oportunidade e, se pouco adiantam para que se compreenda o estado das coisas, em nada contribuem para a sua mudança. O tipo de análise claro/escuro que Maria José Nogueira Pinto utiliza é redutor e não constitui, por isso, uma via adequada para intervir num debate sobre os modelos de modernização e desenvolvimento de cada um dos municípios. É redutor, não porque não haja claros e escuros, mas porque certamente há claros e escuros em cada um dos modelos. Além disso, por mais inflexíveis que sejam as barreiras entre concelhos, há hoje dispositivos supramunicipais suficientes para impor coordenações e ajustamentos entre municípios vizinhos, de forma que é no plano da região que o saldo se apura e o claro/escuro se percebe melhor. Os concelhos não são ilhas. Nunca o foram, mas hoje são-no ainda menos. De facto, formam arquipélagos. Sabem-no os produtores, os consumidores, os agentes institucionais. As decisões tomadas em Óbidos pressupõem uma cuidada avaliação de condições em que a oferta e a procura caldenses entram em conta. E vice-versa. Se os dirigentes políticos não só entenderem isto, mas perceberem a oportunidade que representa, as decisões que lhe competem terão mais capacidade reguladora e certamente mais transparência e qualidade. Exemplo: a localização e o dimensionamento das plataformas comerciais de maiores dimensões deveria ser objecto de estudo conjunto pelos dois municípios. O mesmo relativamente às zonas industriais de nova geração. Esta a primeira questão. A segunda respeita ao critério comparativo que assenta em dois items: gestão cultural e urbanismo. Abordá-la-ei na próxima semana. |
M.J.N.Pinto |
| (In)credulidades | 13 de Setembro |
A Sky News foi a primeira a ser avisada que Madeleine tinha desaparecido e acreditar que tinha sido raptada. Rapidamente, todo o mundo aderiu a essa tese, tendo presente o caso recente da jovem austríaca durante anos mantida em sequestro. Um volte-face na investigação do ultimo mês chegou agora à opinião pública, sobretudo depois de os pais da criança terem decidido voltar a Inglaterra. Aparentemente, a consistência dos indícios da primeira como da segunda tese é muito frágil. Mas como é possível que a tanta mediatização corresponda tão pouca informação? Ou, se quisermos, a tanta informação corresponda tão pouco conhecimento? |
| Comentário a "O ensino nas políticas urbanas" | 12 de Setembro |
É só para lhe manifestar o seguinte: passo sempre pelo seu site e leio com atenção o que escreve; acabei agora de ler a edição na internet da Gazeta das Caldas e fiquei muito satisfeito quando li o [seu] texto. |
| Destino ou trajecto, apenas? | 2 de Setembro |
"A meio do ciclo político deste Governo, se o país está cansado, o Governo está exausto, com excepção do primeiro-ministro, para quem governar tem uma parecença próxima com o jogging, com as vantagens e os defeitos de uma actividade que não se caracteriza por ter um destino, mas sim um trajecto."José Pacheco Pereira, "Pôr os Pés na Terra", 2 de Setembro de 2007. |
Abrupto |
| Memorial da Berlenga | 2 de Setembro | |
Regressado da Berlenga, numa missão comandada pelo Mestre António José Correia, procuro na estante o Memorial da Berlenga . Na praia do Carreiro do Mosteiro, iluminada por archotes, assisti à projecção de uma montagem de imagens (fotografia, desenho, ilustração) sobre as paisagens, a fauna e a flora da ilha. A exposição intitulada Expedição Berlengas: esboços de naturalistas ficará certamente a constituir um marco no registo de imagens da Berlenga. Não pude deixar de evocar Varela Aldemira, pintor e professor da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, que em Agosto/Setembro de 1932, aceitou ser o primeiro hóspede da pousada do Forte de S. João Baptista, cujas obras de adaptação então se concluiam. O diário que redigiu, acompanhado de diversos desenhos, publicou-o em 1956, com o título Memorial da Berlenga: Meditações Estéticas, Lembranças, Confidências, Paisagens . Procuro os dias 1 e 2 de Setembro de há 75 anos. Transcrevo duas breves anotações: |
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| O ensino nas políticas urbanas | 1 de Setembro |
A qualidade da oferta de ensino básico e secundário pesa cada vez mais nas escolhas do local de habitação. A massificação escolar teve este efeito perverso: o nível de exigência no ensino parece ter decaído. Os pais sabem hoje que o êxito do percurso escolar dos seus filhos depende em elevado grau da preparação adquirida nos níveis iniciais de escolaridade. As políticas urbanas estão a integrar este dado como um factor cada vez mais importante da competitividade das cidades. A escola é um elemento fundamental do dispositivo de segurança "social" das cidades. É por isso que faz todo o sentido que as autarquias se ocupem do sistema escolar, desde o pré-primário e básico até ao secundário. E encontrem com a escolas e os professores um modelo dinâmico de apoios e incentivos que permita qualificar a aprendizagem, estimular a inovação e premiar o bom trabalho. |
| Santiago | 31 de Agosto | |
Visita a "No Caminho sob as Estrelas", uma bela exposição patrimonial que pode ser vista na Igreja matriz de Santiago do Cacém. Com excelentes peças oriundas da Galiza e de várias instituições portuguesas, designadamente da região de Beja, José António Falcão, comissário da exposição, reconstitui os sentidos das peregrinações após o ano Mil, as diversas iconografias de Santiago, as representações dos fenómenos religiosos e sociais tanto o culto como a ordem de Santiago originaram. Uma reconstituição inteligente e apaixonada que sublinha o trabalho competente que este investigador de arte vem desenvolvendo à frente do Departamento do Património Histórico-Artístico da Diocese de Beja. |
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| Eduardo Prado Coelho | 26 de Agosto |
Para a minha geração, ele foi uma referência essencial. Em primeiro lugar, provando que se podia começar mais cedo. Quando cheguei à Faculdade, o Eduardo, cinco anos mais velho, estava a terminar o curso, mas já tinha feito um percurso intelectual que nas gerações anteriores sem dúvida demorara mais tempo. Em 67, quando ousavamos todas as rupturas, o Eduardo divulgava em Portugal o estruturalismo, numa antologia que a Portugália editou, e escrevia sobre Foucault, Levi-Strauss, Lacan, Barthes, Derrida, Saussure, nomes de que jamais ouviramos falar. Além da literatura, e da linguística, da antropologia, também nos seduzia com textos sobre filmes, introduzindo-nos nos Cahiers du Cinema, e na obra de Truffaut, Jean-Luc Godard, Eric Rohmer. Habituámo-nos a tê-lo sempre à nossa frente, escrevendo sobre os livros que ainda não tínhamos lido, discutindo as ideias que importava perceber, e que às vezes já nos sentíamos capazes de discutir (lembro-me da emoção com que aí pelos finais dessa década de 60, no Centro Nacional de Cultura, me atrevi a entrar no debate que ele animava sobre o Estado e a Liberdade, travando conhecimento pessoal, num registo de simpatia que perpassou estas últimas 4 décadas das nossas vidas. Nos anos da revolução, o Eduardo surpreendeu-nos muitas vezes pelas posições políticas, que todavia nunca lhe tolheram inteligência e sentido crítico, gosto pela análise de situação e sentido do risco. Este homem extraordinário, que escrevia como quem vive, era um conversador disponível, fazendo-o com o mesmo àvontade e a mesma paixão no estudio da televisão ou na mesa do café. Gostava do mar. Foi frequentador de S. Martinho, donde fugiu quando o muro de betão emparedou a baía e tornou a povoação invivível no Verão. Mais recentemente "descobri-o" na Foz do Arelho e na Ericeira. Fizemos uma viagem a Paris e Lion, em 2004, espicaçando curiosidades comuns sobre temas intermináveis, da política à fotografia, das mulheres belas à história. Encontrei-o recentemente, já depois da provação que fora o transplante hepático, na campanha de António Costa: entusiasmo contido de sempre. Com Eduardo do Prado Coelho, o melhor da minha geração começa a partir. |
| O rapto da paisagem | 18 de Agosto | |
Daniel Rio Caixigueiro é ceramista galego nascido em 1955. Com uma experiência fabril adquirida em Sargadelos, enveredou posteriormente pela escultura cerâmica. As suas obras combinam diversos materiais, como sucede na instalação que pode ser vista no Museu Barata Feyo, integrada na Exposição de Escultura Cerâmica Contemporânea. Este seu trabalho, intitulado "O rapto da paisagem" reflecte sobre o território capturado pela construção. Módulos de habitação - cinzentos, repetitivos - dispoem-se de forma desordenada num espaço vazio que ocupam em superfície e em altura, trepando por um andaime. Metáfora da febre construtiva que invadiu a Galiza, exportável para outras paragens. |
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| Desenvolvimento falhado? | 17 de Agosto |
Maria José Nogueira Pinto num texto ácido, que interpela o modelo de desenvolvimento e modernização adoptado pelo governo das Caldas ( Diário de Notícias de ontem): "Infelizmente, Caldas manteve-se nesse aparente desenvolvimento, assente numa gestão urbana de obra pública duvidosa e empreendimentos imobiliários. As enormes potencialidades das Caldas e das suas gentes estão embotadas por uma condução sem estratégia nem rasgo da sua edilidade". A merecer discussão, certamente. |
| Festa da Cerâmica | 16 de Agosto |
Primeira edição da Festa da Cerâmica, uma tentativa de devolver à cerâmica um lugar central nas Caldas da Rainha. Aplauso para a iniciativa. Quanto ao conceito - enquadrar a cerâmica num festival de verão, ou seja, num cortejo de eventos (exposições, feiras, debates, apresentações, concertos) - só no final saberemos se funciona. Na altura do balanço também convirá analisar o modelo organizativo. Mas o momento agora é de celebração! |
| Paulo Henriques | 8 de Agosto |
A rapida politização da demissão da directora do Museu de Arte Antiga só surpreendeu quem não reparou no investimento mediático com que desde a primeira hora a Dr.ª Dalila Rodrigues marcou a sua acção. Num tempo em que alguns museus se tornam estrelas patrimoniais, há directores que buscam o vedetismo. A comunicação social deixou-se seduzir facilmente por alguns gestos incomuns da directora agora demitida, servida pelas cumplicidades das revistas mundanas. |
| Não vá o sapateiro além da chinela | 7 de Agosto |
A propósito daqueles editores que se acham no direito de alterar os textos dos autores, esta saborosa carta de Eça de Queirós a Ramalho Ortigão: |
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| O blog dos vereadores | 3 de Agosto |
Os vereadores do PS na Càmara caldense criaram um blog através do qual difundem as suas posições políticas. A blogosfera é uma plataforma mediática em expansão, cada vez mais em concorrencia com os meios de comunicação tradicionais. Os blogs impuseram características próprias: cadência viva e crítica, posições desassombradas, subjectivismo, em suma vivacidade e sobreposição do ponto de vista pessoal à informação institucional. Políticos de diversos quadrantes mantêm blogs bem sucedidos (Pacheco Pereira, Vital Moreira, Medeiros Ferreira, por exemplo). Mas todos eles fazem dos blogs espaços de intervenção pessoal. O risco do blog dos vereadores do PS é tornar-se um órgão noticioso em vez de um blog. Ou seja, em vez de revelar as pessoas e os seus humores, a sua inteligência e cultura, em vez de ser um repositório de posts, ser um cemitério de comunicados e de press releases. |
AguaMorna |
| Hansi Stael | 1 de Agosto | |
Um pequeno texto sobre esta artista que revolucionou a cerâmica das Caldas, acompanhado de imagens de alguns dos seus trabalhos, aqui ao lado, na pasta Cerâmica Stael desenhada por Alberto Pinto Ribeiro |
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| Alice | 31 de Julho |
| Em meados da década de sessenta, quando a conheci, ela estava na força da vida e tratava o mundo com uma mistura de confiança maternal e crueza ingénua. Acho que ela percebeu de imediato a circunstância marginal e desajeitada da adolescencia que eu estava a concluir e propôs-se dar um jeito a isso. Falava alto, fumava bastante, exprimia-se sem subterfúgios, por vezes com uma rudeza desconcertante. Havia nela um entusiasmo, próxima da alegria, e certamente animado pelo bom-humor, com que parecia enfrentar os problemas mais complexos e sobretudo as situações inesperadas. Perguntei-me muitas vezes como é que esta mulher lidava com a turbulencia de uma familia de antíteses, de que ela era provavelmente o único cimento e motivo comum de dinamismo. Tomou-me a seu cargo, quando vim para Lisboa, sem que isso significasse dirigir, submeter ou controlar. Alice não só me franqueou a sua casa, a sua mesa e me financiou estudos (contratando os meus "serviços" de explicador de história, latim e opan), como me mostrou formas simples, directas e até divertidas de lidar como o lado da vida surpreendente, intrigante e potencialmente incompreensível (para esse lado, o contributo da sua filha Ana era quase permanente). Alice incluiu-me. Devo-lhe muito mais do que ela poderia imaginar. |
| Novos olhares | 25 de Julho |
O Museu Thyssen-Bornemisza, em Madrid, propõe exposições designadas Studiolo : o comissário é um autor que faz livremente a sua escolha entre as colecções do Museu, num máximo de 18 peças, apresenta e explica as suas preferências. Anteriormente, a direcção do Museu tinha lançado o que designou de "contextos da coleccção permanente", centrando a atenção sobre uma obra prima, acompanhada por outras que ajudavam a compreender a sua génese e reflexos. Excelentes sugestões. |
| Conhecer para prevenir | 23 de Julho |
O escorpião é um aracnídeo perigoso tanto para os humanos como para a sua própria espécie. Nalguns casos, o veneno da sua picada pode causar a morte, embora normalmente apenas provoque dor intensa. Trata-se de um animal sobre o qual se contam as mais diversas fábulas. A que prefiro é a de "O Monge e o Escorpião". |
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| Outra sondagem de Verão | 17 de Julho | |
1484 leitores do El País responderam (até este momento, 12 h) à pergunta: Que pensa de uma união entre Portugal e Espanha, como propôs Saramago? |
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| Eleições | 15 de Julho |
| Os eleitores encararam esta eleição como uma espécie de escolha para a "pool position". A corrida segue dentro de momentos. Quem e como chegará ao fim, daqui a dois anos, é que verdadeiramente conta. |
| Património mediático | 8 de Julho |
Seis das sete "maravilhas" patrimoniais escolhidas pelos "portugueses" situam-se na ala norte da grande Área Metropolitana de Lisboa (que, como é sabido, vai de Setúbal a Leiria). O Oeste fica com duas, tantas quanto a capital. De fora fica apenas o castelo de Guimarães. É a desforra de Ota sobre o resto do País. |
| Memórias | 7 de Julho |
Publicação no Sol do 4º volume do Album das Memórias de José Hermano Saraiva, último Ministro da Educação de Salazar e primeiro de Marcello Caetano, dedicado à sua passagem pelo Governo em 1968 e 1969. No que eu posso controlar através da experiência pessoal, o texto de H. Saraiva contém um excesso de erros, omissões e incorrecções que não pode ser desculpado com falhas de memória. Voltarei ao assunto. |
| Bienal | 3 de Julho |
Debate no Teatro Aberto sobre uma política cultural para Lisboa. Helena de Freitas coloca a hipótese de uma Bienal, Delfim Sardo apoia, Leonel Moura lembra que há bienais fora de Lisboa. Ingloriamente, Caldas da Rainha deixou morrer a sua, perdendo o que poderia ser um instrumento decisivo, um "hub" de "cidade criativa". |
| Berardo | 3 de Julho |
3 de Julho: no Centro Cultural de Belém, com a colecção Berardo, por entre a surpresa da inesperada afluencia e o desconforto de uma polémica tão previsível como inútil. Notei no Domingo os efeitos do abandono na conservação do edifício do Pavilhão de Portugal ocupado pela Trienal, e pergunto-me se não teria sido mais avisado, em 1999, proporcioná-lo ao comendador em vez de o reservar para uma improvável Presidência do Conselho de Ministros. |
Museu Berardo |
| 5 anos depois | 2 de Julho |
Reencontro longa entrevista que há 5 anos me fez Carlos Cipriano para a Gazeta das Caldas. Passamos em revista política e urbanismo locais, o debate regional em curso, o futuro da ESAD (na altura ainda se não consumara a integração da ESARTE e a Assembleia Municipal continuava a clamar por uma Escola de Educação), a minha actividade na Presidência, recordámos a questão das portagens do Oeste, e dei a minha opinião sobre alguns temas de política geral e local. O Dr. Fernando Costa rebateu algumas das minhas posições, mas a polémica foi simpática e breve. |
Entrevista Agosto 2002 |
| Trienal de Arquitectura | 1 de Julho | |
Visita à Trienal de Arquitectura de Lisboa (vide, neste site, "Estudos Urbanos"). Começo pelo Museu da Electricidade: exposição monográfica de Siza Veira. Há um painel com a cronologia geral da sua obra. As peças expostas, das últimas décadas, são apresentadas, modelarmente, em maquetas, fotos, esquissos, desenhos, acompanhadas de uma ficha de identificação. É permitido fotografar. Uma surpresa, por entre os grandes geradores da antiga central eléctrica: uma exposição de ceramista norte-americano Arnie Zimmerman montada pelo arquitecto Tiago Montepegado. Arnie compôs com blocos e figuras de grés vidrado uma cidade moderna povoada de operários da construção, trabalhadores manuais, presidiários e outros desamparados, marginais, sem abrigo. Tiago concebeu um alto muro de tijolos cinzentos rasgado por frestas através das quais o visitante se pode aperceber do movimento da "Inner City". Rumo em seguida ao Pavilhão de Portugal onde estão as exposições Portugal, Países, Paisagens, Universidades, Arquitectos Convidados e Intervenções na Cidade. Invoca-se uma reflexão sobre o papel dos vazios urbanos, esses espaços que resultam da degradação da cidade histórica ou da fragmentação e dispersão das áreas metropolitanas. Particularmente sugestivas são as ideias do núcleo Paisagem e Intervenções na Cidade. |
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| Siza Vieira, Pavilhão Multiusos de Gondomar, 2007 | ||
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A. Ziemmerman | |
| Arnie Zimmerman, Inner City, 2007 (pormenor) | ||
| Revisão | 1 de Julho |
Câmara Municipal das Caldas da Rainha vai dar início à revisão do seu primeiro Plano Director Municipal, decorridos mais de três anos sobre a respectiva aprovação. Entre os motivos invocados para precipitar o processo estão os novos instrumentos regionais e nacionais de planeamento, entretanto aprovados. Não encontrei, porém, uma referência ao Plano Estratégico encomendado e aprovado pela Câmara e pela Assembleia Municipal no mandato anterior. Percorro demoradamente o site da Câmara e também aí do Plano Estratégico nem vestígios. Não quero crer que a Câmara se tenha esquecido deste seu Plano e se prepare para o sepultar na gaveta das inutilidades (ou das incomodidades). |
| Recordar a Ogiva | 30 de Junho |
Reunião de Conselheiros da Fundação Armazém das Artes, em Alcobaça. A Professora Lúcia de Matos e o escultor José Aurélio viajam pela magnífica exposição "Escultura com Afectos" (não se pode perder, estão lá autores fundamentais dos últimos 40 anos e peças excepcionais). É impressiva a imagem da inauguração da Ogiva em 1970, em Óbidos: espaço, obras e ambientes que transitam quase quatro décadas numa continuidade singular. |
Ogiva |
| Aeroporto/Augusto Mateus | 28 de Junho |
Se interpreto bem o sentido da suspensão da decisão sobre o novo aeroporto, a tese vitoriosa foi a de Augusto Mateus, e não dos partidários da localização na margem direita ou na margem esquerda do Tejo. No Congresso do Oeste, em Alcobaça, o que Augusto Mateus frizou, com aquela clareza que lhe conheço há tantos anos (produto da grande escola de Francisco Pereira de Moura), é que mais importante que o local é o conceito de areoporto: quais as suas funções no quadro da evolução previsível de Portugal, da Peninsula, da Europa, do Mundo global. Em Alcobaça percebeu-se perfeitamente - ou percebeu quem estava lá para discutir e não para preencher espaço mediático - que Mateus precisava de mais tempo para definir o modelo e que a decisão do local estava a condicionar a questão estratégica. Para já a vitória é dele. E quem não perceber que o facto de Augusto Mateus ter neste momento a seu cargo a elaboração do Plano de Acção para o Oeste é uma vantagem e não um risco ou uma ameaça, está a ver curto. |
| O nosso passado industrial | 21 de Junho |
| Um seminário sobre arqueologia e museologia industrial que Carlos Coutinho proporcionou à cidade, no âmbito do mestrado que frequenta na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Na Biblioteca, onde, com identico enquadramento, intermediou uma exposição sobre o lápis. Com a participação de uma pequena plateia interessada que resistiu até quase à 1 hora da manhã, apresentações sobre a indústria do lápis, sobre o projecto museológico da Fábrica de Fiação e Tecidos de Tomar; reflexões e observações sobre património, gestão cultural, reabilitação e conservação, urbanismo, etc. Intervenções de Deolinda Folgado, do ISPAR, e de Jorge Custódio, um dos pioneiros da arqueologia industrial no nosso país. Também lá fui apresentar agumas fichas do património empresarial caldense do século XX (podem ser lidas, aqui ao lado, no Inventário). |
| "Sou de Peniche" | 8 de Junho |
António José Correia, Presidente da Câmara de Peniche, na abertura da Convenção "Sou de Peniche": |
Documentação |
| Proposta de corredor criativo | 5 de Junho |
Ao longo deste ano lectivo tenho assistido à concretização de uma operação urbanística que está afastar a ESAD da cidade, criando barreiras visuais e dificuldades de integração física do seu campus no conjunto urbano. Estimulado por uma intervenção recente do Presidente da Assembleia Municipal, inscrevi-me para usar do tempo do público na reunião da Assembleia Municipal de 5 de Junho. De facto, a 15 de Maio, o Dr. Luis Ribeiro anunciou que o próximo Congresso das Caldas seria dedicado ao tema do ensino, lançando desde logo o repto à ESAD para participar nesse debate. |
Notícia G.C. |
| Leonor | 31 de Maio |
| Com a ajuda da Tânia Jorge e da Dora Mendes (Museu do Hospital e das Caldas, Associação Património Histórico) apresentei no Café Central uma breve viagem pelas marcas caldenses da Rainha fundadora. Iniciativa simpática e muito participada da Associação Forense do Oeste, dinamizada por Isabel Batista, juiza no Tribunal das Caldas. Debate vivo e interessante sobre temas de história e património. As imagens, algumas inéditas e talvez surpreendentes, podem ser vistas aqui ao lado, no Inventário. |
| Relatório | 25 de Maio |
| Nos termos do Estatuto da Carreira Docente ainda em vigor, fiz hoje entrega ao Conselho Científico de um relatório de actividades pedagógicas, científicas e de investigação. Nele inclui a criação e manutenção deste site. |
| Um ano depois | 24 de Maio | |
Eurico Bonifácio da Silva e Serra morreu na passada Quarta-Feira, dia 24 de Maio de 2006. Tinha completado 90 anos uma semana antes. Era casado com Joaquina de Sousa Bonifácio da Silva e pai de Maria Clara e João Bonifácio Serra. Gazeta das Caldas, 2 de Junho 2006 |
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Breve romagem a Santarém, capital regional da minha infância. Seminário. Café Central. Banco do engraxador do Café Central |
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| Mensagem para um finalista | 19 de Maio | |
Pedro: |
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| Homenagens | 15 de Maio |
"Esta é uma das cerimónias mais expressivas do dia do município, na qual o poder autárquico mandatado pelo sufrágio manifesta reconhecimento a cidadãos e instituições que, nos mais diversos quadrantes, dignificaram com a sua acção a vida local. Poucos terão sido os dias 15 de Maio em que não compareci neste Salão Nobre para aplaudir as distinções concedidas e vibrar com aquele orgulho de quem se sente parte do destino duma comunidade". |
| À janela | 17 de Maio | |
Carmen Martín Gaite ha visto muy bien cómo ese reino de privacidad y reclusión que es, y ha sido secularmente, el dominio espacial y vital de la mujer ha incubado, desde repliegues internos, un punto de vista sobre la existencia. La casa, sentida en un primer momento como cárcel, pasividad, rutina y parálisis, se asemeja también a su propio cuerpo tabuizado, sometido permanentemente a la ocultación por el recato. En un impresionante desdoblamiento, la vivienda se percibe como prolongación de la cárcel del cuerpo y de la mente, cuyas efusiones sentimentales e intelectivas amarraban, condenándolas, los tratados y sermonarios donde se tenía por nocivo cualquier tipo de instrucción que a las mujeres no les llegara mediante los libros de devoción y la enseñanzas de índole doméstica por vía materna. A este propósito, nuestra escritora saca a relucir en su ensayo un adjetivo en trance de extinción, extraído de sus rastreos bibliográficos por autores y autoras de los Siglos de Oro, empleado únicamente en femenino: “ventanera”, portador de una marcada carga de censura en boca de los moralistas de la época. Ellas, tachadas de “livianas” y “ventaneras”, no podían evitar levantar la vista, trascender lo que tenían más cerca; y lo hacían casi siempre con un aire retador y a hurtadillas. Los anhelos de libertad y de expansión nacieron arrastrando consigo una voluntad cada vez más feroz de vivirse en la autenticidad, sin tener que recurrir a disfraces ni máscaras: asomar el alma por las ventanas de los ojos, mirar con descaro o cautela, dejarse penetrar por las miradas ajenas sin temor a la reprobación o en procura de aquiescencia. No es de extrañar, entonces, que la vocación de la escritura naciese en muchas autoras como deseo de liberación y desahogo, y que ambos afanes tuviesen como marco una ventana, que es realmente el punto de enfoque y el punto de partida. Iñaki Torre Fica, "La mujer ventanera" en la poesía de Carmen Martín Gaite. |
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Murillo |
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Rembrandt |
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Vasily Tropinin |
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| Oeste | 5 de Maio |
| Terceiro Congresso do Oeste, segundo em que participo, desta vez assistindo à totalidade das intervenções e debates. Os problemas com que nos debatemos são os do país, dos seus contrastes (velocidades, como ficou bem patente no painel de intervenções livres que antecedeu a sessão final), dos seus jogos de forças e fraquezas, oportunidades e ameaças. Duas notas curiosas. 1ª (terminológica): oeste, oestinos, afirmação recorrente e por vezes eufórica destes identificadores - há duas décadas ninguém se auto-intitularia "oestino" e há uma década o conceito só estava assumido em Torres Vedras e nos concelhos do norte do distrito de Lisboa. 2ª (política): o cortejo habitual de figuras políticas (deputados, ex-governantes) mal se mostrou, reduziu-se ao mínimo e não interveio no Congresso. Para este mundo os territórios resumem-se aos distritos. | Congresso Oeste |
| "Long link" blogues: causas | 2 de Maio | |
Blogues que fazem a diferença pelo desprendimento com que tornam mais acessível informação relevante e partilham (bons) gostos. Blogues para ler devagar, apreciar detidamente como um "long drink". São diversas as frentes em que Ana da Palma pode ser encontrada. Todas sinceras, generosas, informadas. Controversas por vezes (inevitavelmente). Mas sempre animadas pela inteligência e pelo sentido de causas sem os quais a militância cultural se tornaria exercício árido ou arrogante. Como Ana espreita a cidade a partir do Imaginário, aqui lhe deixo uma chave de Nadir. |
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Arestas |
Nadir Afonso, La Seine et le Grand Palais, 2001 |
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